Juh Chini
Founder
A dreamer, still connecting the dots. 💜

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Oláaaaa, Hellooo!

Semana em que a Sequoia decidiu que menos es más e anunciou o fechamento do escritório de Londres, enquanto a Revolut foi avaliada em US$ 115 bi: tem VC que enxuga, tem fintech que cresce. Aqui no campo, a Vereda vende insumo pelo WhatsApp e a Celes saiu da Colômbia de olho no Brasil. A Anthropic abriu o S-1 e garantiu leitura de fim de semana. E a IA física, que sonha com robô no talhão, ainda negocia com o sinal de internet. Pega o café, abre o link e bora: hoje a gente separa o que é fato do que é "fontes dizem". Boa leitura!

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The Weekly Brief

1. Fintech 100: 4 latinas entre as 100 mais promissoras. A CB Insights divulgou em 28/10 a 9ª edição do ranking: 100 vencedoras em 21 categorias, escolhidas entre mais de 70 mil fintechs de pre-seed a Série C. A região aparece com Aviva (crédito ao consumo), Tapi (pagamentos cross-border), Clara (banking empresarial) e Pluggy (embedded finance). O relatório destaca três temas: blockchain em serviços financeiros tradicionais, dados das instituições como ativo subaproveitado de IA e regulação transformada em produto. Por que importa (análise nossa): só uma das seis seções do mapa é voltada ao consumidor, e três das quatro latinas atuam em infraestrutura ou serviços para empresas. Fontes: CB Insights e Startups.com.br (28/10). As descrições das empresas latinas vêm da Startups.com.br.

2. Women in Tech & Capital: mais exits nos EUA, com ressalvas. Segundo o PitchBook ("US All In 2025"), via Startups.com.br, 24,9% dos exits de VC nos EUA em 2025 tinham ao menos uma fundadora, contra 23,6% em 2024; foram 349 exits, contra 290, e o valor de saída chegou a US$ 51,1 bi (18,4% do total), contra US$ 20,1 bi (13,3%). No release do PitchBook (Business Wire), fundadoras captaram US$ 73,6 bi em 2025, um recorde, com cerca de dois terços dos dólares indo para IA e mais de US$ 30 bi vindos de Scale AI e Anthropic. O estudo LO Women Invest, do Lombard Odier (setembro/2026), reapresenta esses dados e traz o pré-money médio de VC nos EUA: US$ 33,3 mi para empresas com ao menos uma fundadora, US$ 39 mi para todas e US$ 19 mi para as fundadas só por mulheres. Ressalvas: o valor de exit inclui valores extrapolados, o recorte é de empresas com VC e ao menos uma fundadora (mesmo que ela tenha saído), e os números são dos EUA. No Brasil, o Mapeamento de Startups 2025 da ABStartups mostra mulheres cis em 19,9% dos founders (amostra autodeclarada de 3.650 startups), dado de composição, não de capital. Não encontramos fonte confiável e atual sobre capital destinado a mulheres no Brasil.

3. IA física e agro: onde estão os gargalos. Segundo a Bloomberg Línea (04/11), o agro é o principal motor da IA física entre startups brasileiras. O relatório da AWS "AI Gets Physical" (outubro/2026) ouviu 4.420 startups em 20 países, e o Brasil aparece como mercado emergente. Globalmente, 70% dos desenvolvedores dizem que a adoção lenta pelos clientes limita o crescimento e 26% acham suas economias prontas para escalar. Detalhes e a nossa leitura no The Bigger Picture, logo abaixo.

4. Anthropic: S-1/A fala em estar perto de "RSI". Segundo a TechCrunch (02/11), que revisou o fator de risco do S-1, estimativas internas indicam que a empresa pode em breve atingir a definição de progresso acelerado por IA da sua Responsible Scaling Policy; nenhum modelo atual passa do limite. Por que importa: é uma divulgação regulatória relevante para quem avalia risco e governança de IA.

5. VC global se reconfigura; Revolut vira referência. A Sequoia anunciou a fusão das equipes early-stage e growth e o fechamento do escritório de Londres e das iniciativas Arc e Scouts, segundo a TechCrunch (04/11). Já a Revolut foi avaliada em US$ 115 bi em venda secundária, cerca de 53% acima dos US$ 75 bi de novembro de 2025, segundo a Startups.com.br (04/11), que cita Brasil entre os mercados futuros, sem prazo. Por que importa: menos presença de VCs globais fora do eixo principal abre espaço para fundos locais; o valuation da Revolut é referência para fintechs da região.

6. Bayer e IdeeLab: biofungicidas para o Brasil. A divisão agrícola da Bayer e a biotech brasileira IdeeLab desenvolverão biofungicidas para pragas tropicais em parceria de 12 meses, com três candidatos já em campo, segundo a AgFunder News (04/11). A Bayer disse que lançará 17 novos biológicos na América Latina até 2030. Por que importa: sinal de P&D de biológicos sendo terceirizado no Brasil.

The Bigger Picture

The Bigger Picture — By Juliana Chini

A IA é exponencial. A safra, não.

O Brasil tem potencial para liderar aplicações de IA física no agronegócio. Mas será que nosso modelo de investimento está preparado para o tempo que a inovação no campo exige?

Durante minha trajetória no ecossistema de inovação do agronegócio, conheci startups com tecnologias extraordinárias. Soluções capazes de reduzir desperdícios, aumentar a produtividade, otimizar operações e resolver problemas que acompanham o produtor rural há décadas.

Algumas prosperaram. Outras, apesar do potencial tecnológico, não conseguiram avançar.

E, muitas vezes, o problema não era a tecnologia. Era a conta que não fechava.

Uma reportagem publicada nesta semana pela Bloomberg Línea, com base em um levantamento da AWS, trouxe novamente essa reflexão. A inteligência artificial está deixando de atuar apenas nas telas para ganhar espaço no mundo físico, por meio de drones, sensores, robótica, visão computacional e equipamentos inteligentes.

E o agronegócio brasileiro desponta como um dos ambientes mais promissores para essa transformação.

Segundo o relatório AI Gets Physical: The Global Startups Readiness Index, que ouviu 4.420 startups em 20 países, 15% já desenvolvem soluções de IA física. No Brasil, essa participação é de 12%, conforme os dados divulgados pela Bloomberg Línea.

O agro tem um papel importante nessa história. No levantamento, 47% das startups brasileiras apontam a agricultura entre os primeiros setores que a IA física deve transformar, contra 25% na amostra global.

Não é difícil entender por quê.

Temos operações agrícolas de grande escala, desafios logísticos, pressão por produtividade, escassez de mão de obra especializada em determinadas atividades e uma necessidade permanente de produzir mais utilizando melhor os recursos disponíveis.

E temos empresas desenvolvendo soluções concretas.

A BemAgro, por exemplo, utiliza inteligência artificial, visão computacional e dados geoespaciais para transformar imagens de drones, satélites e máquinas em informações aplicáveis ao planejamento, monitoramento e execução agrícola.

A IA SENSE, de Sertãozinho, desenvolve soluções de visão computacional integradas a câmeras, sensores e dispositivos, com aplicações que incluem o monitoramento de lavouras e operações industriais.

São exemplos de como a inteligência artificial pode sair do ambiente exclusivamente digital e contribuir para decisões e processos no mundo físico.

Mas existe uma diferença enorme entre desenvolver uma solução que funciona e construir uma empresa capaz de escalá-la.

No agro, o tempo da tecnologia nem sempre acompanha o tempo do capital.

Imagine uma startup que desenvolve uma solução para identificar falhas de plantio ou otimizar determinada operação agrícola.

Ela precisa encontrar um cliente disposto a testar, negociar o piloto, integrar equipamentos e dados, acompanhar uma janela operacional específica e demonstrar resultados.

Se o teste depende de uma safra, a próxima oportunidade de validação pode estar a meses de distância.

Se o primeiro piloto exige ajustes, talvez seja necessário esperar outro ciclo agrícola.

Enquanto isso, a startup continua pagando salários, desenvolvendo tecnologia, sustentando infraestrutura e consumindo caixa.

O investidor, por sua vez, quer crescimento, tração comercial e evidências de retorno.

E o produtor, corretamente, quer ter segurança de que aquela tecnologia entregará resultado antes de comprometer sua operação.

Todos têm razões legítimas. Mas os relógios não estão sincronizados.

Vi esse descompasso de perto. Startups que precisavam de mais uma safra para comprovar resultados, mas não tinham capital para chegar até ela. Pilotos tecnicamente bem-sucedidos que não se transformavam em contratos. Tecnologias promissoras pressionadas por expectativas de crescimento incompatíveis com seus ciclos de adoção.

É justamente esse gargalo que os números da AWS ajudam a dimensionar.

Globalmente, 70% dos desenvolvedores de IA física afirmam que a adoção lenta pelos clientes limita seu crescimento. Apenas 26% consideram suas economias preparadas para implantar essas tecnologias em escala.

O acesso ao capital também aparece como um obstáculo importante: somente 46% avaliam ter condições adequadas de financiamento para desenvolver e escalar suas soluções.

Não estamos falando apenas de uma dificuldade brasileira. Estamos diante de um desafio estrutural de um mercado que precisa combinar software, hardware, infraestrutura, validação operacional e mudança de comportamento.

E isso exige repensar não apenas a tecnologia, mas também a forma como financiamos e compramos inovação.

Será que faz sentido avaliar uma AgTech que depende de ciclos agrícolas com as mesmas expectativas de crescimento de uma startup de software corporativo?

Será que grandes empresas, cooperativas e fornecedores de insumos poderiam assumir um papel mais ativo na contratação e no financiamento de pilotos, em vez de apenas oferecer ambientes de teste?

E será que nossos instrumentos de venture capital, corporate venture capital e financiamento à inovação estão preparados para sustentar o caminho entre um protótipo promissor e uma operação comercial recorrente?

O Brasil aparece no estudo da AWS como um mercado emergente em IA física, enquanto o México já integra o grupo de mercados em aceleração.

Temos conhecimento agrícola, demanda potencial, capacidade empreendedora e problemas reais que justificam o desenvolvimento dessas tecnologias.

Mas vantagem de aplicação não se transforma automaticamente em liderança de mercado.

A próxima fronteira da inovação no agro talvez não seja desenvolver mais tecnologia. Seja construir as condições para que as boas tecnologias sobrevivam até ganhar escala.

Porque, no fim, não adianta termos startups capazes de revolucionar o campo se elas não conseguem sobreviver ao tempo necessário para provar que essa revolução funciona.

E fica a pergunta: estamos financiando a inovação agrícola ou apenas cobrando que ela cresça no ritmo errado?

The Bigger Picture — By Juliana Chini

The Deal Brief

Celes (Colômbia) levanta US$ 5 mi com a SP Ventures para entrar no Brasil. Série A de US$ 5 mi liderada pela SP Ventures, com Fulcrum Global Capital, 30N Ventures e Taram Capital, confirmada por Startups.com.br (30/10), Forbes Colômbia (27/10) e Forbes Chile (28/10). O software de IA faz previsão de demanda e reposição para o varejo; os recursos financiarão a entrada formal no Brasil, ainda não concluída. Rodada anterior: seed de US$ 3 mi liderado pela FEMSA Ventures em 2024. Valuation e receita não foram divulgados. As métricas (8.500+ lojas em 8 países, 55 milhões de previsões por dia) são autodeclaradas. Análise: um fundo brasileiro liderando a rodada de uma startup latina mostra capital local financiando a entrada de latinas no Brasil.

Vereda capta R$ 30 mi para conectar a indústria de insumos direto ao produtor. Segundo a Startups.com.br (03/11), seed de R$ 30 mi coliderado por Canary e Valor Capital Group, com participação do Speedrun (a16z). A página do Speedrun lista a Vereda (fundada em 2025, Rio Verde, GO), sem valor de rodada. A empresa atua como braço comercial de fabricantes de insumos, com comissão e sem estoque, usando equipe de campo e um agente de IA no WhatsApp (site). Há um piloto de financiamento na safrinha 2026/27 com instituições financeiras; a Vereda diz que não concede crédito nem assume o risco. Não foram divulgados valuation, receita, GMV ou clientes, e a redução de preço ao produtor é projeção do modelo. Análise: a venda direta tira camadas da distribuição de insumos, e quem financia define o risco.

Rivio estende a Série A para R$ 180 mi. Extensão de R$ 80 mi liderada pela Valor Capital, com Monashees, Positive Ventures e APL, segundo a Startups.com.br (04/11). A healthtech usa agentes de IA para auditar faturamento hospitalar; o valuation passou de pouco mais de R$ 500 mi em janeiro para mais de R$ 1 bi, com 13 grupos hospitalares como clientes. Receita não divulgada.

Lá fora: a Trajectory captou US$ 45 mi na Série A, com a Sequoia, a um valuation de US$ 300 mi (TechCrunch, 02/11). A Thrive Holdings, apoiada pela OpenAI, comprou a ADT por US$ 15,3 bi em valor da empresa (TechCrunch, 29/10). A Meta confirmou a compra da Conductor, startup de agentes de código, sem divulgar termos (TechCrunch, 04/11).

Executive Opportunities

Vagas publicadas nas últimas duas semanas

  • Accenture — Gerente Sênior, Agentic AI. Modalidade não confirmada. Abrir vaga

  • BlaBlaCar — Senior Growth Lead. Híbrido. Abrir vaga

  • brightwheel — Manager, GTM Intelligence. Modalidade não confirmada. Abrir vaga

  • TOTVS — Gerente de Inovação de Produto com foco em IA. Modalidade não confirmada. Abrir vaga

  • Syngenta — Software Engineering Manager AI. Híbrido. Abrir vaga

  • Serasa Experian — Gerente de Planejamento Estratégico. Modalidade não confirmada. Abrir vaga

  • Wellhub — Director Product Manager, Payout. Remoto. Abrir vaga

  • Twilio — Director, LATAM Carrier Relations. Remoto. Abrir vaga

Vagas conferidas em 05/11/2026. Confirme se continuam abertas antes de publicar.

Global Events Radar

Nos próximos 7 dias: Web Summit Lisboa, 9 a 12 de novembro. Tech, IA, startups e VC. Ingressos à venda; disponibilidade não informada. websummit.com

  • 16/11, São Paulo: ACE Summit 2026. Startups e venture, no Centro de Convenções Frei Caneca. 1º lote: R$ 280 (padrão) e R$ 499,99 (VIP). acesummit.com.br

  • 18 e 19/11, Helsinque: Slush 2026. Startups e VC. Passes Startup e Ecosystem esgotados; Investor (€ 1.195) disponível. slush.org

  • 26/11, São Paulo: AI ao Cubo (Cubo Network). IA em escala: estratégia, infraestrutura, governança e ROI, com trilhas Adopters e Builders, no Cubo Itaú, das 8h às 18h. Ingressos via Sympla; preço e status não aparecem na página.

  • 26 e 27/11, São Paulo: CASE26 (ABStartups). Conferência anual da associação de startups, na FEA-USP. Inscrições abertas via Sympla. case.abstartups.com.br

  • 30/11 a 4/12, Las Vegas: AWS re:Invent 2026. Cloud e IA generativa. Passe completo: US$ 2.499. aws.amazon.com/events/reinvent

  • 6 a 12/12, Sydney (com satélites em Atlanta e Paris): NeurIPS 2026. Pesquisa em IA e machine learning. Status de inscrição não verificado. neurips.cc

  • 6 a 9/1/2027, Las Vegas: CES 2027. Consumer tech, IA, mobilidade e saúde digital. ces.tech

  • 18 a 22/1/2027, Davos: World Economic Forum. Economia global e IA. Datas confirmadas apenas pelo site de turismo de Davos.

  • 31/1 a 3/2/2027, Doha: Web Summit Qatar. qatar.websummit.com

Educação executiva: MIT Sloan, AI Executive Academy (Cambridge, EUA, 18 a 29/1/2027, US$ 24.500; candidaturas da rodada 2 até 30/11, executive.mit.edu) e Oxford, AI Strategy and Leadership Programme (turmas em 18/1 e 8/3/2027; prazo e vagas não informados na página, sbs.ox.ac.uk).

Quote of the Week

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"But lo! men have become the tools of their tools."

Henry David Thoreau, Walden (Ticknor and Fields, Boston, 1854), capítulo "Economy"

Before You Go… Meme of the Week

IA física: a demo é fácil, quem manda mesmo é a safra.

Até a próxima sexta. Bom fim de semana!

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