1. Hello, Hello, Hellooo!

Holaaaa, Oláaaaa, Helloooo!

Sexta-feira, véspera de Halloween, e o que deu susto esta semana não foi fantasia: foram os zeros.

Um laboratório de IA com pouco mais de um ano de vida captou US$ 1 bi sem produto no mercado. Um megafundo fechou US$ 10 bi para apostar em cerca de dez empresas. E a DeepSeek, segundo a Reuters, levantou algo perto de US$ 15 bi. Enquanto isso, no Brasil, a pergunta do momento é quem consegue entrar no funil. Pegue o café (ou a abóbora) e vamos ao que importa: Deal Brief, vagas, eventos e um meme para aliviar o susto. Let's go, captain!

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2. The Weekly Brief

1) Anthropic apresenta S-1 público e mira IPO na Nasdaq

Fato: A Anthropic protocolou na SEC o formulário S-1 para uma oferta pública de ações Classe A, com intenção de listar na Nasdaq sob o ticker ANT. Quantidade de ações e faixa de preço ainda não foram definidas. Um rascunho confidencial havia sido enviado em junho. No 1º semestre de 2026, a receita foi de US$ 16,3 bi, contra US$ 1,2 bi no mesmo período de 2025. Até setembro, mais de 11.900 clientes gastavam US$ 100 mil ou mais por ano. Preço e valor da oferta ainda não foram divulgados. Segundo a Yahoo Finance, o prejuízo líquido foi de US$ 80,7 bi até junho, em grande parte por encargos contábeis. A NPR cita relatos de avaliação entre US$ 1,5 tri e US$ 2 tri, estimativa de terceiros.

Análise: é a primeira vez que uma empresa desenvolvedora de modelos avançados de IA abre seus números ao mercado, oferecendo uma visão rara sobre a economia por trás dessa tecnologia: a concentração de receitas em grandes clientes corporativos e os desafios de governança de um setor em rápida expansão.

2) DeepSeek fecha cerca de US$ 15 bi, com Tencent e CATL entre os maiores aportes

Fato: A Reuters informou que a DeepSeek captou cerca de 100 bilhões de yuans (US$ 14,98 bi), com Meituan, Geely e GigaDevice entre os investidores. Os dados vêm de fontes anônimas, e a empresa não confirmou publicamente nos trechos lidos.

Análise: O capital vem de industriais e plataformas, não de VCs clássicos. A disputa com os laboratórios americanos passa a ser também uma disputa por capital estratégico.

3) Pathos AI capta US$ 237 mi, liderada pela BMS, e leva a plataforma Foundry para Alzheimer

Fato: Série E de US$ 237 mi, a cerca de US$ 3 bi de valuation pós-money, liderada pela Bristol Myers Squibb. Junto veio colaboração com BMS e Tempus AI para doenças neurológicas. A Pathos licenciará dados da Tempus por US$ 55 mi em cinco anos. A BMS terá acesso não exclusivo à plataforma e três anos de exclusividade em neurociência. Resultados clínicos ainda não estão comprovados; hoje é um anúncio.

Análise: A farmacêutica lidera a rodada e leva a plataforma para dentro do seu P&D. Dados proprietários viram o ativo central.

4) Peak Energy capta US$ 108 mi com a GM para baterias de sódio-íon

Fato: Série B liderada pela GM Ventures para escalar a fabricação nos EUA e entrar no mercado de data centers. A fábrica de 4 GWh na Califórnia deve iniciar produção no 1º tri de 2027. Enquanto isso, a empresa usa células de fornecedores chineses, e a produção de sódio-íon segue concentrada na China. A carteira de cerca de US$ 1 bi em pedidos é informada pela empresa.

Análise: Armazenamento para a demanda de energia da IA é tema central do ano. A dependência da cadeia chinesa é o ponto crítico.

5) Brasil: US$ 3,25 bi captados em 2026 (jan-set), mas o número de rodadas de equity caiu pela metade

Fato: Segundo análise do Q3 2026, o número de rodadas de equity de startups brasileiras caiu de 161 (1º tri 2024) para 60 (3º tri 2026). A Decade levantou US$ 85 mi em rodada classificada como seed.

Segundo o relatório Q3 2026 da Sling Hub (edição de outubro/2026) e a leitura de Danilo Picucci (O Elo, 27/10/2026), as startups brasileiras captaram US$ 3,25 bi em jan-set de 2026 contra US$ 3,09 bi no mesmo período de 2024. O número de rodadas de equity caiu de 436 para 202. O ticket médio subiu de US$ 3 mi (3T24) para US$ 5,4 mi (3T26), ou US$ 4,1 mi sem uma rodada de US$ 85 mi. O volume total inclui dívida e FIDCs, que somaram quase metade do volume no 3T. No 3T26 isolado: 66 rodadas e US$ 629 mi (-63% no trimestre, -50% no ano); equity de US$ 325 mi em 60 rodadas; rodadas com participação de corporação somaram US$ 202 mi (32% do volume, contra 4% no 2T).

Análise: O capital voltou, mas concentrado em menos empresas. Para founders, o gargalo é entrar no grupo que recebe cheque; para investidores, menos negócios com tickets maiores.

6) Relatório WSP/Zenzic: portos do Reino Unido seguem em piloto, longe da automação em escala

Fato: O relatório Barriers and Opportunities for Automation in UK Ports conclui que o país ainda não migrou dos pilotos para implantações comerciais em escala, ao contrário de partes da Ásia e do norte da Europa. Aponta a automação mista (autônomos e manuais convivendo) como oportunidade.

Análise: O gargalo do piloto à escala é o mesmo de terminais e fornecedores no Brasil.

Fontes: AMTI · Computer Weekly (data exata não fixada, entre 21 e 27/out)

3. The Bigger Picture — By Juliana Chini

Poucos craques, muito dinheiro. E quem investe na base?

Quem acompanha futebol sabe que montar um time campeão não é simplesmente contratar os jogadores mais caros. Você pode ter os melhores atacantes e salários milionários, mas, sem uma base sólida e uma estratégia de jogo, dificilmente conquistará um campeonato.

E o que isso tem a ver com Venture Capital? Mais do que parece.

Nas últimas semanas, acompanhamos uma verdadeira janela de transferências bilionárias no mercado de inteligência artificial.

Uma gestora de Dallas anunciou um fundo de US$ 10 bilhões para investir em aproximadamente dez empresas. A Flapping Airplanes captou US$ 1 bilhão mesmo sem possuir um produto comercial. E a DeepSeek, segundo a Reuters, teria levantado cerca de US$ 15 bilhões.

São cifras impressionantes. Mas fica a pergunta: estamos construindo um ecossistema de inovação ou apenas financiando uma seleção de superestrelas?

Enquanto bilhões se concentram em poucos laboratórios de IA, milhares de startups continuam enfrentando dificuldades para acessar capital, validar tecnologias e conquistar clientes.

No Brasil, o cenário merece atenção. Dados preliminares apontam uma redução expressiva no número de rodadas de equity, mesmo com volumes relevantes de capital investido. É como comemorar uma janela de transferências recorde enquanto os clubes menores deixam de revelar jogadores.

Ao longo da minha trajetória trabalhando com startups, corporações e investidores, vi negócios promissores enfrentarem dificuldades não pela ausência de boas soluções, mas pela falta de acesso a capital, mercado e conexões estratégicas.

E aqui está o ponto: inovação não acontece apenas onde o dinheiro está. Mas o dinheiro pode determinar quais inovações terão a oportunidade de acontecer.

Nem toda startup precisa se tornar um unicórnio para gerar impacto econômico. Soluções que aumentam a produtividade, reduzem desperdícios ou transformam setores tradicionais também merecem espaço nesse jogo.

Talvez o maior desafio do ecossistema não seja revelar o próximo unicórnio, mas criar condições para que mais empresas possam competir.

Afinal, um campeonato não se conquista apenas com craques. É preciso ter um time.

E fica a provocação: estamos investindo na próxima geração de empresas inovadoras ou apenas disputando os craques que o mercado já escolheu?

4. The Deal Brief

Empresa

Valor

Estágio / tipo

Lead

Data

Fonte

Disruptive

US$ 10 bi (fundo)

Megafundo late-stage IA e defesa

—

27/out

Tractian

US$ 130 mi a a US$ 1,4 bi

Série D

Sapphire Ventures e Catalyst

23/out

Flapping Airplanes

US$ 1 bi, valuation reportado US$ 6 bi

Série A

Index e Lux (co-lead)

21/out

DeepSeek

~US$ 15 bi (reportado)

Rodada

— (Tencent e CATL entre os maiores)

22/out

Legora

US$ 550 mi a US$ 8,8 bi

Série E

Atreides Management

21/out

Pathos AI

US$ 237 mi a ~US$ 3 bi

Série E

Bristol Myers Squibb

22–23/out

Peak Energy

US$ 108 mi

Série B

GM Ventures

21/out

Alice (Brasil)

US$ 40 mi

Série D

IFC (com DEG e Finnfund)

19/out*

* Fora da janela de 7 dias por 2 dias; mantida pela relevância brasileira. Números de eficiência e crescimento da Alice são informados pela empresa.

Tractian capta US$ 130 mi (Série D) a US$ 1,4 bi de valuation

Tractian capta US$ 130 mi (Série D) a US$ 1,4 bi de valuation
A startup brasileira de IA industrial anunciou em 23/10 uma Série D de US$ 130 milhões liderada por Sapphire Ventures e Catalyst (growth equity da M&G), com participação de N47, General Catalyst, Bosch Ventures, 53 Stations, Monashees, Endeavor Catalyst, Norte Ventures e Y Combinator. A receita anualizada está próxima de US$ 100 milhões, cerca de metade nos EUA, e a tecnologia opera em mais de 2.000 instalações. Os recursos vão para P&D em IA física, treinamento de LLMs e compra de processadores Nvidia. Os números de receita são informados pela empresa.

Análise: é um caso de IA aplicada que vende para a indústria global a partir do Brasil. Para founders de B2B, vale como benchmark de métricas (ARR e mix de receita).

Brasil no 3T26: menos rodadas, cheques maiores

Segundo o relatório da Sling Hub (edição de outubro de 2026), o terceiro trimestre teve 66 rodadas somando US$ 629 milhões, queda de 63% frente ao 2T e de 50% frente ao 3T25. As cinco maiores rodadas do trimestre:

  • Kesh Bank (fintech): US$ 108 mi, FIDC e equity

  • UME (fintech): US$ 98,4 mi, FIDC

  • Decade (fintech, com IA): US$ 85 mi, Seed

  • A5X (fintech): US$ 69,9 mi, Série D

  • Mombak (cleantech): US$ 38,8 mi, dívida, com BNDES

Somando os três primeiros trimestres do relatório, as rodadas de equity caíram de 436 em 2024 para 202 em 2026, e o volume total, que inclui dívida e FIDCs, foi de US$ 3,25 bi contra US$ 3,09 bi. Dívida e FIDCs responderam por quase metade do volume do 3T. Ou seja, o “captar mais” vale para o total, não para equity.

Análise: o capital está mais concentrado em poucas operações grandes e em crédito estruturado. Corporações aparecem em 32% do volume do trimestre (4% no 2T).

Fonte: Sling Hub, Ecossistema de Inovação Aberta & CVC no Brasil, Q3 2026. Leitura complementar: O Elo, 27/10/2026

5. Executive Opportunities

Fonte: LinkedIn Jobs, busca de 28/out/2026, vagas publicadas nos últimos 7 dias, de Gerente a C-Level. Cada anúncio estava com o botão Candidatar-se ativo em 28/out. Os links levam ao anúncio no LinkedIn, não à página oficial da empresa.

Empresa e cargo

Local e modalidade

Escopo e requisitos

Publicada

Link

Mercado Livre — Senior Manager Corporate Strategy

Osasco, SP; híbrido

Estratégia regional LatAm de construção, indústria e B2B; experiência em estratégia e crescimento, consultoria ou empresas digitais; liderança de equipes multidisciplinares

26/out

Serasa Experian — Gerente de Estratégia e GTM

São Paulo, SP; modalidade não identificada

Estratégia multianual e resultado do segmento Prime (PME): forecast, funil e liderança de times comerciais

23/out

QuintoAndar — Head of BizOps

São Paulo, SP; híbrido (1 semana por mês no escritório)

BizOps da nova unidade QuintoAndar para Condomínios, AI-native; requisitos detalhados não lidos (descrição parcial)

28/out

Sanofi — Market Access Strategy Head

São Paulo, SP; híbrido

Estratégia de market access do portfólio no Brasil, governança, pricing e operações; liderança por influência

27/out

Palo Alto Networks — Principal, LatAm GTM Strategy & Ops

São Paulo, SP; o anúncio descreve a função como remota

Projetos de estratégia GTM com acesso à liderança C-level; requisitos detalhados não lidos (descrição parcial)

28/out

Olist — Gerente Sênior de Go-to-Market

São Paulo ou Curitiba; híbrido, CLT

Estratégia GTM das BUs (ERP, Envios, Olist Capital e Crédito), mensuração de growth (CAC, payback) e liderança do time

27/out

Natura — Head de Marketing e Negócios, Avon Brasil

São Paulo, SP; modalidade não identificada

P&L, estratégia de crescimento, marca, categorias, portfólio e canais; foco em turnaround

23/out

Twygo — Head of Growth

Curitiba, PR; exige residir em SC ou PR

Growth e marketing digital em tech e SaaS, IA aplicada, liderança do time

27/out

Visa — Sr. Manager, Visa Consulting and Analytics, Digital Practice

Brasília e região

Consultoria e estratégia digital para emissores, adquirentes, fintechs e governo; desenvolvimento de negócios e da prática

26/out

Canva — Head of LATAM

São Paulo, SP; modalidade não identificada

GM regional: estratégia de crescimento, P&L e liderança dos Country Leads (Brasil, México, Argentina)

26/out

6. Global Events Radar (próximos 90 dias)

Eventos de 29/out a 5/nov: nenhum verificado.

Data

Evento

Local

Por que importa

Link

9–12/nov

Web Summit 2026

Lisboa, Portugal

Maior encontro de tecnologia, startups e investidores da Europa

16/nov

ACE Summit

São Paulo, Centro de Convenções Frei Caneca

Evento anual da ACE, de um dia e presencial; o organizador indica cerca de 2.500 líderes e empreendedores

18–19/nov

Slush 2026

Helsinque, Finlândia

Encontro de founders e investidores em estágio inicial

26–27/nov

CASE26 (ABStartups)

São Paulo, FEA-USP

Principal conferência brasileira de startups; Startup Awards em 27/nov

6–9/jan/2027

CES 2027

Las Vegas, EUA

Vitrine global de tecnologia e produtos

18–22/jan/2027

World Economic Forum, Reunião Anual

Davos, Suíça

Agenda global de economia, IA e geopolítica (acesso por convite)

7. Quote of the Week

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“The best way to predict the future is to invent it.”

Alan Kay

Tradução livre: “A melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo.”

Atribuição conforme o Quote Investigator: Alan Kay afirma ter criado a máxima e diz tê-la usado desde 1971. Circulam atribuições concorrentes, mas a de Kay conta com declaração do próprio autor.

8. Before You Go… Meme of the Week

Humor, não é dado nem conselho de investimento.


Juliana Chini
Founder
LinkedIn

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